#N°52 – Vassalos livres

🌾 Vento da Liberdade

#N°52 – Vassalos livres

Reflexões diárias – 12/07/2020 

🌟 A pessoa não se desenvolve ouvindo os outros falar ou lendo o que os outros escrevem. O ser humano se emancipa quando dá a sua palavra e escreve o seu próprio texto. Uma aula que preste nunca deveria permitir que um professor tenha mais tempo de uso da palavra do que os seus alunos. A sala de aula não é ambiente de transferência de conhecimento. A sala de aula é ambiente emancipador, de formação de pessoas que estão se tornando sujeitos capazes de construir conhecimento próprio. Portanto, o professor está ali para criar espaço de segurança para seus alunos se expressarem e produzirem pensamento autêntico, ao invés de cópia. Quem faz transferência de conhecimento é guru, que busca arrebanhar pessoas  que o sigam. A única função de transferir conhecimento aos outros é fazer com que as pessoas não pensem por si próprias e, dessa forma, tenham que consultar uma instância exterior para saber o que devem fazer. Esse formato pedagógico serve apenas para sustentar sociedades baseadas em hierarquia, onde não há espaço para o diálogo. O diálogo requer que as pessoas estejam numa relação de horizontalidade. Ninguém maior e ninguém menor. Através do diálogo, a produção de conhecimento se dá pelo compartilhar de consciência. Não há uma única pessoa de posse do conhecimento. A sabedoria deixa de ser teórica e passa ao nível dos instintos. Você pode até dizer: “Mas eu já aprendi muito ouvindo palestras”. Num certo nível, ouvir palestras virá até um bom negócio, pois livra as pessoas de pensar por si. E faz delas boas seguidoras de palestrantes. Dessa forma, elas não precisam estudar. Se estudassem, tirariam o lugar do palestrante. Num ambiente de produção de conhecimento, e não de transferência, o conteúdo não é teórico. Ele surge da vida que acontece in loco. Seu currículo ou formação pouco importam. Sua capacidade de ouvir e compartilhar a si mesmo é o que valem. Pessoas que dão palestras e ainda cobram por isso deveriam ter vergonha na cara. Pois estão cobrando para atrapalhar o desenvolvimento das outras. O Brasil pelo jeito ainda vai alimentar esse tipo de pedagogia por um longo tempo. Aqui há uma parcela da sociedade interessada em manter a ignorância do povo, de modo que o mesmo mantenha sua consciência de vassalo. Um vassalo é aquele que acredita que ganha pouco devido a ter sido “malandro” ou “preguiçoso” e não ter estudado o suficiente, por exemplo. Ele não conhece os mecanismos sociais que, propositadamente, alimentam este tipo de consciência. Se conhecesse, ninguém mais iria lhe falar olhando de cima para baixo.

 🌟Autor Tiago Bueno
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