O Animal Desperto



Fita, fita meus olhos claros, doce rosto do anoitecer solitário. 


E responde-me se neles encontras uma tinta luminosa de liberdade.


Varre todos os cantos da alma minha, dizendo-me se é feliz a minha vida.


Viste que a faculdade da obediência de mim se apartou.


Ela voou como um pássaro selvagem que busca as alturas virgens e inexploradas.



Foi levada para bem longe, dando lugar ao nascimento de um animal selvagem, que agora vive em meu interior.



De coração mudo, calado, vi os anos de sua juventude serem ultrapassados, não podendo mais ser adestrado.



Sentado sozinho por entre pensamentos silenciosos, deixei meu animal interior despertar.


Encontrei-o, ali, esperando-me na enseada da liberdade e pude incorporar dele a sabedoria do instinto.



Revelei-lhe o medo que sinto de defender minha verdade e a frequência com que escondo meus sentimentos.



E ele gritou seu anseio mais profundo. E este era o anseio de ser quem Eu Sou e de mostrar a energia de minha alma para o mundo.


 Eis agora o Filho da Luz, que comunga com o seu Animal desperto.

Ei-lo agora com a força nos rins, e a força nos músculos do peito.

Com o vigor da saúde, de olhos sábios, brilhantes e claros, ele move suas pernas feito um cedro. Os tendões de suas coxas estão interligados. Seus ossos são como tubos de metal e os membros como barras de ferro. Ele come à mesa da Mãe Terrena. A relva do campo e as águas do córrego alimentam-no. As montanhas sem dúvida lhe trazem comida. Como são abençoadas a sua força e a sua beleza, pois o seu corpo arde como o fogo da Luz eterna.



Imutável, o animal está diante de ti como uma porta aberta, capaz de libertá-lo dos julgamentos externos e manter sua mente destemida. 



Eis agora o Filho da luz que comunga com seu animal desperto.






Autor: Tiago Bueno






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