LabIDR
– Laboratório Itinerante de Diálogo Regenerativo
O que é uma
sociedade que dialoga?
O que é uma sociedade
que dialoga ou que busca a produção do pensamento autêntico? Essa é uma questão
pedagógica e ao mesmo tempo uma questão que trata sobre como lidamos com o
poder em nossas relações. Dentro da minha experiência, que se construiu em
grande parte na área holística, e, portanto, terapêutica, percebi que o (a)
terapeuta, por exemplo, consegue ajudar melhor no processo de desenvolvimento
de outro ser humano quando ocupa uma relação de horizontalidade com quem se
relaciona. Isto muda uma pergunta central em nossas cabeças: ao invés de nos
perguntarmos “como podemos curar essa outra pessoa que nos procura em busca de
auxílio? ”, passamos a nos colocar a pergunta de uma outra forma: “como posso
oferecer uma relação que a outra pessoa utilize para o seu próprio crescimento
e desenvolvimento? ”.
Descobri,
então, que a maneira como percebo a outra pessoa é o desencadeador do processo
de transformação e de mudança, que irá guiar o nosso relacionamento. E isso se
estende para todas as nossas relações, seja de pais e filhos, chefe e
funcionário, professora e alunos, etc.
Horizontalidade
quer dizer ver a outra pessoa em sua verdade, em seu potencial pleno, em sua
riqueza e completude. Quando me vejo diante de um ser completo, meu trabalho
passa a ser o de facilitar o parto de algo grandioso que já existe no outro ser
humano.
Vamos ver
isto através de um exemplo bem simples, prático e corriqueiro, na relação entre
duas pessoas “A” e “B”. Dentro de uma cultura e sociedade colonizadora, que
historicamente se construiu através do autoritarismo e da escravidão, a pessoa
“A”, quando é questionada sobre algum tema pela pessoa “B”, lhe transfere
algum tipo de conhecimento pronto. O ato de dar resposta pela pessoa “A”
demonstra que ela detém o conhecimento (poder) sobre a pessoa “B” que, em sua
ignorância, não possui. Isto estabelece uma relação vertical, de superioridade
da pessoa “A” sobre a pessoa “B”.
Já numa cultura e sociedade do diálogo, que
privilegia a produção do pensamento autêntico, quando a pessoa “A” recebe uma
pergunta da pessoa “B”, ao invés de transmitir seu conhecimento e sabedoria, ela
busca verificar que possíveis respostas a pessoa “B” já tenha formulado na
pergunta que fez. Ficou claro o que eu quis dizer? A pessoa “A” buscará captar
as possíveis respostas que estão contidas na pergunta formulada pela pessoa “B”.
Por exemplo:
Pergunta da pessoa
“B”: O que posso fazer para encontrar meu propósito na vida e prosperar?
Resposta da pessoa
“A”: O que é ter um propósito na vida para você? E o que significa prosperar?
Neste
exemplo, a pessoa “A” convida a pessoa “B” a desenvolver seu pensamento
autêntico, evitando dar respostas prontas e acabadas à outra, como se fosse uma
espécie de guru ou guia.
Numa cultura
onde se ensina a admirar o colonizador, a transmissão de conhecimento é a base
da pedagogia vigente. O que os alunos desenvolverão, em boa medida, será a
habilidade de fazer cópia e a admiração a um opressor fora de si.
Numa cultura
do diálogo, porém, saber quais são as respostas que estão subjacentes ao ato de
formulação das perguntas é o ato revolucionário pertencente ao exercício da
produção do pensamento autêntico.
Até breve!
Conheça
e apoie a campanha de arrecadação de fundos do LabIDR em: https://www.catarse.me/dialogoregenerativo
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o blog e acompanhe a viagem em https://labidr.blogspot.com/
A equipe é composta por Tiago
Bueno, pesquisador sobre inteligência e preparação emocional de jovens e
adultos. Autor do livro "Ser Quem Você é: como usar a Comunicação
Não-Violenta". Criador do áudio diário "Vento da Liberdade" e do
LabIDR – Laboratório Itinerante de Diálogo Regenerativo. Trabalha com o
desenvolvimento e a reformulação da linguagem de pessoas desde 2013, utilizando
a abordagem centrada na pessoa, a Comunicação Não-Violenta e a pedagogia do
oprimido de Paulo Freire. E por Manuela Ferreira da Costa, assistente social
com atuação nas políticas públicas de assistência social, habitação, saúde e
educação. Atuou também como mediadora civil de resolução de conflitos e
atualmente é facilitadora de Círculos de Construção de Paz de Justiça Restaurativa.
LabIDR
– Laboratório Itinerante de Diálogo Regenerativo
O que é?
O Laboratório Itinerante de
Diálogo Regenerativo (LabIDR) realiza encontros por todo o território
brasileiro buscando disseminar a cultura do diálogo e da produção de
conhecimento a partir da experiência das pessoas. Os encontros acontecem no
formato circular, onde o confiar e o enxergar o
ser humano nos olhos como uma pessoa digna e de grande valor coloca-nos numa
posição de horizontalidade e oferece uma condição psicológica fundamental para
a produção do pensamento autêntico. Esta percepção, sustentada e mantida pelas
pessoas que realizam a mediação do encontro, funciona como verdadeiro diapasão
a influenciar todo o grupo. Criar espaço para o diálogo é também criar espaço
para a autoexpressão, o que significa partilha e um ambiente muito mais rico e
dinâmico, onde as pessoas são chamadas a ocupar ora o papel de quem ensina, ora
o de quem aprende.
Conheça mais
sobre o LabIDR em: https://www.youtube.com/watch?v=d5kylcs_K8A&t=2s
Para ter o LabIDR em sua cidade, contate pelo fone/whats (51) 998177893
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