O rio do tempo




O RIO DO TEMPO

Eu busquei beber no rio do tempo

Mas enquanto tomava da sua água

Via seu leito arenoso e percebia como era raso  

Com as mãos sempre cobertas de areia

Eu era movido pelo Espírito do Vale

Eu fui feito por aquilo de que tinha sede

O dia saiu e a noite entrou

Choveu e trovejou

Um raio apunhalou a tempestade

E então limparam as minhas mãos

Pentearam os meus cabelos

Lustraram minhas botas

Me vestiram como em dia de domingo

Despiram minha coragem

Me cobriram de vergonha

E foi no auge de meu desespero

Bem quando não via futuro, saída ou solução

Que conheci a verdadeira autorização

A Voz da mulher anciã retumbou:

A Todos os fantasmas

Ausentes ou escolhidos

Abram as janelas para que as palavras possam sair

E que ninguém aqui mate a sua verdade

O Espírito do Vale, então, de mim se apossou

Enchendo-me novamente de areia

Comecei a gritar aos ventos meu conhecimento interior

E honrar minhas verdadeiras inclinações

E aquilo que fazia de mim algo tão estranho

Tão diferente

Tão inadequado

Passou a ser o meu lugar único

Meu papel único

E foi vivendo neste local exclusivo

Cumprindo meu papel exclusivo

Que corrente rala do rio deslizou

Foi embora

A eternidade ficou

Minha sede então finalmente foi saciada

Encontrou dentro da minha estranheza

Dentro da minha diferença e inadequação

Quem Eu realmente Sou

Autor: Vento da Liberdade @ventoliberdad



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