#N°74 – A função de um professor

 🌾 Vento da Liberdade

#N°74 – A função de um professor

Reflexões diárias – 03/08/2020 

🌟 A função de um verdadeiro professor é a de ser ultrapassado por seus alunos. Ele deve ensiná-los como aprender a aprender e como pesquisar por si próprios, de tal modo que o próprio professor deixe de ser necessário. O professor não é um profissional do ensino, mas sim da aprendizagem. Sua tarefa não é a de transferir conhecimento, mas é a de criar ambiente e espaço seguro para a produção de pensamento autêntico. Ou seja, o professor tem como função fundamental a de preparar autores, pessoas com autonomia e com capacidade de reflexão própria. Os alunos não são objetos que repetem como papagaios ou fazem copia daquilo que o professor diz. Isso quem faz é discípulo de guru. O Brasil, infelizmente, é um país que mantém um sistema de ensino voltado à preparação de papagaios, pessoas que não pensam por si, mas que copiam aquilo que os “professores” falam. Estas pessoas também não deveriam ter este título de professor, mas sim de instrutor. Instrutor é quem repassa conhecimento produzido por outros. Professor é um autor, alguém que produz o próprio conhecimento e que desenvolve outros autores. Instrutor repassa cópia e desenvolve papagaios, seguidores e discípulos. Um professor jamais irá aceitar discípulos, pois sua função é a de ser desnecessário. Um guru ou instrutor, ao contrário, irá arrebanhar discípulos, pois sua função é a de criar dependentes que o sustentem. Os discípulos ou papagaios, por sua vez, se desenvolvem repetindo aquilo que o guru diz. Eles não desenvolvem autonomia, não se tornam sujeitos. Caso o fizessem, abandonariam o guru. Gurus e instrutores são úteis em culturas subdesenvolvidos, pois ajudam a sustentar o subdesenvolvimento. Professores são próprios de culturas onde as pessoas aprenderam a pensar por si, desenvolveram proposta própria e criaram independência e autonomia. Nosso modelo de ensino no Brasil é baseado em aulas e transferência de conhecimento. Isto serve para sustentar uma sociedade baseada em hierarquia. Uma massa de pessoas frequenta os bancos escolares para aprender a não pensar, mas fazer cópia. Recentemente estive na cidade do Rio de Janeiro e vivi algumas experiências onde pude acompanhar relações de trabalho entre classes sociais diferentes. Quem detinha o capital e empregava os trabalhadores fazia, através de discurso racional, com que eles acreditassem que a miséria que recebiam era de tal forma generosa e bondosa da parte de quem os empregava. Eu olhava para aquilo e me indagava, muitas vezes revoltado, como que as pessoas aceitavam aquele tipo de exploração. Fui, então, questionar os trabalhadores. Depois de muita conversa, me disseram que aquela submissão se dava devido à necessidade. Se não aceitassem aquela exploração, havia uma massa de pessoas disposta a aceitar. Então, pensei comigo: “Hum, é útil manter a grande massa com este tipo de pedagogia, que faz com que as pessoas se tornem 'papagaios' e subservientes, ao invés de sujeitos que pensam e questionam. Desse modo, é fácil explorar o povo e mantê-lo de joelho”. O conhecimento sempre se inicia com o questionamento. E isto é próprio de culturas desenvolvidas, onde a pesquisa é o centro do ensino. Aqui, no entanto, não se aprende a pesquisar. Talvez, durante a faculdade, alguns alunos participam de bolsas de iniciação científica. A grande massa, porém, aprende a fazer cópia para ser um “papagaio”. Instrutores e gurus, por favor, parem de transferir conteúdo às pessoas e se tornem em professores, alguém que cria ambiente próprio à produção de pensamento autêntico e que tem como meta ser desnecessário. Não perpetuem mais este sistema subdesenvolvido de educação. Ensinem as pessoas como aprender a aprender e como fazer pesquisa.

🌟Autor: Tiago Bueno🌾
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