#N°93 – Permita que a dor exista!

  🌾 Vento da Liberdade


#N°93 – Permita que a dor exista!


Reflexões diárias – 22/08/2020 


🌟 Certa vez um homem procurava algo sob um poste de luz. Vendo que o indivíduo já estava ali fazia um longo período de tempo, um guarda foi ajudá-lo. 


- Que procuras, meu amigo? – falou o guarda.


O homem ligeiramente bêbado respondeu:


- Eu procuro as chaves do meu carro.


- Você as perdeu aqui? - indagou o guarda.


- Não, eu as perdi lá no beco. Só que a luz está melhor aqui. Então vim procurar onde consigo enxergar melhor.


- Você está gozando com a minha cara, seu malandro? – questionou o guarda, indignado.


- Não, seu guarda, por favor, não estou gozando com a sua cara, não – respondeu o sujeito, trêmulo.


O guarda percebeu que ele não estava mentindo.


- Você quer que eu lhe ajude a procurar as chaves? – perguntou o guarda.


- Imagina, seu guarda. Não quero lhe atrapalhar. Mas já que o senhor insiste, por favor me acompanhe.


Os dois se dirigiram para o beco escuro. À medida em que entravam, a escuridão se fazia mais densa. O guarda então lhe disse:


- Agora eu entendo porque você veio procurar na luz as chaves do seu carro.


- Viu, eu lhe falei, esse lugar dá medo – redarguiu o homem.


Repentinamente, ambos ouviram um choro convulsivo em meio à escuridão. O guarda então gritou:


- Quem está aí?


Ninguém respondeu. O homem, então, questionou o guarda:


- Você está com medo?


- Não – respondeu ele, resoluto.


Novamente o choro voltou à tona, em meio à escuridão. O homem então pegou uma vela de dentro de sua pequena bolsa e a acendeu, entregando-a ao guarda e indicou-lhe que fosse com a luz acesa até a região de onde vinha aqueles lamentos. O guarda pegou aquela vela muito estranhamente, olhou para ele e perguntou:


- Quem você é?


Ele nada respondeu. O guarda, então, se dirigiu com a luz da vela acesa até o local de onde vinham aqueles soluços e choramingo. Repentinamente, porém, ele é surpreendido por uma criancinha, sozinha, com as mãos tampando-lhe o rostinho, em lágrimas.


- O que fazes aí sozinha, criança? – pergunta ele.


A criança nada responde. Apenas chora mais fortemente.


- Onde estão seus pais? – volta a indagar o guarda.


A criança volta a chorar mais fortemente ainda. Vendo aquela cena, o homem ligeiramente bêbado se aproxima e lhe diz:


- Acolha ela primeiro. Dê-lhe o que ela precisa.


Dito isto, o homem tomou a frente e a pegou, aconchegando-a em seus braços, dizendo-lhe:


- Pode chorar aqui no meu colo. Você está segura comigo. A sua tristeza é muito bem-vinda aqui. Você pode chorar.


A criança chorou por cerca de uns três a cinco minutos no colo do homem ligeiramente bêbado e logo em seguida parou, vindo a fechar os olhos e descansar.


O guarda surpreendido perguntou-lhe:


- O que você fez a ela?


- Dei-lhe um ombro e permiti que a sua dor existisse – respondeu ele.


- Eu percebi que você não disse para ela parar de chorar – falou o guarda.


- Não se faz isso com nenhuma criança – respondeu ele.


Até breve!


🌟Autor: Tiago Bueno🌾


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