🌾 Vento da Liberdade
#N°126 – Ouvindo nossos sentimentos e acolhendo nossa resistência.
Reflexões diárias – 9/1/2021
🌟 Se você nunca pensou que iria enlouquecer, se
já não pensou em sumir ou deixar de existir, nossas experiências são diferentes,
embora ainda há tempo para isso acontecer. Não estou rogando praga, não. Só acho
que a experiência humana é um tanto quanto desafiadora, possuindo muitos altos e
baixos, semelhante a uma gangorra, onde ora você pode estar em cima, ora embaixo.
Nossas emoções podem flutuar nesses extremos, quando nossa consciência ainda não
encontrou o ponto de “ancoragem” no centro da “gangorra”. Para mim, o início da
saída dessa flutuação emocional entre os extremos da “gangorra” acontece quando
deixamos de julgar a nós mesmos, pelo menos por um tempo. Desse modo, há a oportunidade
de preparar seu terreno interior para a chegada de uma nova energia. Certa vez descobri
isso quando passei por uma depressão. Não cheguei a tomar remédios, mas me vi afogado
em sentimentos de tristeza, medo, solidão, dúvidas, e, por fim, não tinha perspectiva
alguma com relação ao futuro. Até mesmo a fé em algo superior havia sumido. Parecia
que todas as luzes tinham sido apagadas. Restava-me, porém, um último cartucho,
onde depositei toda minha energia: “ouvir minha dor e sofrimento, e dedicar tempo
de intimidade com minha criança interior”. Foi o que fiz e lembro-me de que todas
as manhãs eu procurava dialogar com ela. Nesse diálogo, aos poucos fui aprendendo
o uso consistente de liberar a motivação de querer ajudá-la e de vê-la melhor. Isso
iria na contramão de todos os conselhos e invocações que eu havia recebido ao longo
da vida, que diziam-me para me afastar de emoções negativas. Ao contrário, cada
vez eu me via mais íntimo delas, a ponto de conhecer suas causas. Não era análise
que eu fazia, era escuta, porém isenta de julgamento ou interpretação. Minha experiência
me permitia descobrir o mapa da mina, justamente ao compreender aquilo que mais
me atormentava. Hoje em dia podem me falar o que quiserem sobre Freud, sobre a Bíblia,
sobre a terapia que for. Tudo isso é válido, mas nada substitui minha experiência
pessoal. E é através dela que eu produzo meu conhecimento. Por isso, não falo de
cima de um púlpito, mas a partir da experiência sentida. Descobri que nem a tristeza,
nem a raiva, nem o medo ou a ansiedade são coisas más, negativas ou ruins. Elas
são, muitas vezes, feridas psicológicas, sim. Mas não são a causa do sofrimento
em nossas vidas. Não são elas que, por exemplo, nos prendem a padrões de comportamento
negativos. O julgamento, porém, que fazemos delas é o que nos prende à negatividade.
O julgamento é semelhante ao sal quando largado sobre uma ferida, produz dor. É
isso o que nos prende à negatividade. O julgamento, nesse caso, é uma forma de resistência
com relação à nossa própria vulnerabilidade. Por isso, ouso afirmar que, muitas
vezes quando estamos em sofrimento, estamos lidando apenas com a nossa própria resistência
em aceitar a nossa vulnerabilidade, constituída por nossos sentimentos, emoções
e necessidades. Considero que a base ou fundação de um caminho de autoconhecimento
deve, portanto, passar, necessariamente, pela aceitação dessa resistência, já que
ela, muitas vezes, se tornou numa carapaça tão dura que mantém as emoções distantes
e enterradas dentro de nós. Muita gente, atualmente, sofre com o fato de “não sentir
nada”. Não sofre mas também não ama, nem é feliz. Nesse caso, é bom prestarmos atenção
aos nossos julgamentos, pois eles serão úteis para descobrirmos as áreas vulneráveis
dentro de nós que sofrem ação da nossa resistência. A fim de um dia ancorarmos nossa
consciência no centro da “gangorra”, essa resistência precisará também receber autoaceitação,
autoamor e autoempatia, por exemplo. Os antigos filósofos gregos costumavam dar
o nome de “ataraxia” a este centro imóvel da “gangorra”, que em outras palavras
quer dizer imperturbabilidade. Porém, antes de chegarmos lá, é importante abraçar,
ouvir e amar as muitas facetas do nosso ser, incluído aqui a resistência. Finalmente,
então, poderemos dizer novamente: “Eu Sou quem Eu Sou. E Eu Sou bom do jeito que
Eu Sou”.
Até breve!
🌟Autor: Tiago Bueno🌾
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