#N°106 – Pedagogia e Pesquisa

  


🌾 Vento da Liberdade


#N°106 – Pedagogia e Pesquisa


Reflexões diárias – 11/09/2020 


🌟 Como seria nosso país se os estudantes tivessem que produzir um texto por dia, ao invés de ficar ouvindo aula? E como seria se eles também fossem livres para escolher o que gostariam de produzir? Será que teríamos mercado de trabalho para terapeutas, psicólogos ou psiquiatras? A cada vez que um estudante se expressa, ele(a) também se emancipa, já dizia Paulo Freire. Não é a toa que Freire foi escorraçado do nosso país por ter levantado o véu e nos mostrado o papel que a escola exerce de domesticação das massas, onde os educadores, de modo geral, ao invés de serem professores, assumem, mediocrimente, o papel de “instrutores”,  transferindo conteúdos, que na maior parte dos casos, não foi nem sequer pensado por eles próprios. Eu uso aqui a palavra “instrutor” para denominar alguém que utiliza uma pedagogia de transferência de conteúdo. Nesse modelo pedagógico, não é exigido que o aluno pense, mas que copie. Os alunos aprendem, dessa forma, a guiar e conduzir suas vidas com base naquilo que é estabelecido, externamente, como certo e errado. Esse tipo de pedagogia é muito útil às sociedades baseadas em hierarquia e dominação. Ela serviu grandemente na Idade Média, quando o poder sobre o conhecimento estava nas mãos da Igreja. Muitas pessoas foram mortas e queimadas quando ousaram questionar. Ouve um cientista, porém, que, assim como Paulo Freire, assumiu a posição de filósofo selvagem, e ousou não se calar. O seu nome era Galileu Galileu. Naquela época, por volta do ano de 1604, eis que surge um fenômeno diferente no céu. Uma estrela nova começa a apresentar uma intensidade variável no seu brilho. Esse fenômeno talvez não tivesse a menor importância nos dias de hoje. Entretanto, foi a causa principal que levou Galileu Galilei a consolidar as bases da ciência moderna, e, por consequência, a derrocada da teologia escolástica medieval. A forma de dominação exercida pela Igreja se apoiava numa filosofia que atribuía à Deus o direito de eleger aqueles que governavam a sociedade. Não havia separação entre o poder religioso e o estado. No entanto, a aparição daquela estrela “intrometida” colocaria abaixo toda sua filosofia e visão autoritária de mundo. Dizia-se, segundo a filosofia escolástica, que tudo aquilo que estivesse acima da lua, representava o plano da perfeição, e, portanto, não mudava nem oscilava. Aquilo que estaria abaixo da lua, faria parte da imperfeição, podendo mudar, oscilar, se transformar. Acreditem, o poder papal se sustentava mediante a crença nessa idéia, pois somente os teólogos e filósofos podiam opinar sobre a natureza da realidade, pois, segundo eles, eram os únicos capazes de receber as “revelações” de Deus e dizer para o povo o que era certo ou errado. E, pasmem, esse conteúdo era repassado por meio de transferência, a mesma pedagogia vigente em nossa cultura e sociedade. Porém, Galileu Galileu, o “ombro gigante da física moderna, ousou questionar e disse que quem decidiria se aquela estrela estava acima ou abaixo da lua, não era o papa nem a Igreja, era a pesquisa científica. A ciência possui o caráter verificador. Não se baseia em achismos nem em opinião de senso comum. Hoje em dia, infelizmente, vemos o ressurgimento do obscurantismo e pensamento autoritário medieval aqui no Brasil. Entretanto, “onde parece nascer o perigo, nasce também aquilo que salva”. Cada vez mais, vozes se levantarão em favor de uma educação e pedagogia baseada não na transferência de conteúdo, mas no uso do diálogo, da pesquisa e da elaboração de pensamento autêntico e original. O profissional da educação, aqui no Brasil, deixará, em breve, de ser um mero instrutor, que faz apenas repasse de conteúdo, para assumir sua verdadeira vocação e natureza de ser um professor, um autor, alguém que produz conhecimento próprio e que cria espaços educativos de produção de conhecimento. Assim como fez Galileu Galileu, ao ousar questionar, nossa pedagogia vai encarnar sua missão de desenvolver estudantes pesquisadores, que elaboram conhecimento próprio e que vão para a vida com proposta própria, ao invés de alunos papagaios, dóceis e obedientes, que copiam matéria e devolvem nas provas. 


Até breve!


🌟Autor: Tiago Bueno🌾


✨Blog👉http://labidr.blogspot.com



Fone: (51) 998177893


✨Receba diretamente os áudios do Vento da Liberdade pelo grupo do whatsapp:

https://chat.whatsapp.com/Keld8g5JK1pB6Q7vnfR4cC



✨Ou pelo Telegram: https://t.me/ventodaliberdade



✨Vídeo sobre Comunicação Não-Violenta em:

https://youtu.be/wD-GZkGO9xUl


Nenhum comentário:

Postar um comentário