Vento da
Liberdade
#N°130 –
Educação da idade do ferro
Reflexões
diárias – 2/8/2021
Eu sou a presença escrevendo
este texto com perfeição e maestria. Eu inicio um texto desta maneira porque
acho que devemos nos posicionar internamente, quando começamos uma atividade.
Certa vez ouvi dizer que o vocalista da banda de rap “Racionais Mc’s”,
conhecido como Mano Brown, falou que ele acreditou que podia fazer rap. Ele
disse: “Cara, eu sabia que podia fazer...”. Então era como se internamente ele
se posicionasse, dizendo “Eu posso, consigo, Eu Sou capaz”. Posicionar-se é uma
habilidade que você desenvolve praticando. Saiba, porém, que, em nossa cultura
e sociedade, você enfrenta um desafio ainda maior para se posicionar
internamente dependendo da cor da pele ou do seu gênero. Para uma pessoa branca
é relativamente mais fácil afirmar: “Eu posso”, pois não foram os seus avós
quem foram feitos escravos e violentados até perderem a total dignidade. Então,
é totalmente diferente do que uma pessoa negra dizer isso, ou então para alguém
que nasceu numa classe social sem os privilégios da classe branca, dominante.
Se não levarmos em consideração isso, iremos cair naqueles argumentos fajutos
que dizem o seguinte: “Tu não se deu bem na vida porque é vagabundo, não fez por
onde, não se esforçou, não estudou, etc”. Esse tipo de argumento mostra ainda
mais a avassaladora ignorância de um tipo de cultura subdesenvolvida. Esse tipo
de pensamento, felizmente, não pertence a uma cabeça pensante, mas pertence a
uma cabeça alienada, que ignora a história e a desigualdade social. Se
conhecesse a história, provavelmente começaria a incentivar a promoção de uma
educação que ensinasse a pesquisar, ao invés de fazer cópia. Aliás, o Brasil piorou
sua posição no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), no ano de
2020. Quando o assunto é avaliação educacional, o PISA é uma referência
mundial. A nota geral do Brasil está
entre as mais baixas do mundo nas três áreas avaliadas, leitura, matemática e
ciências. Certamente, mantém-se nessa posição subdesenvolvida não só por não investir
o que deveria na educação, mas principalmente por manter um sistema educacional
baseado em aulas, ao invés de pesquisa. Torço profundamente para que chegue o
dia em que os estudantes, aqui no Brasil, se recusem a assistir aula, a não ser
que seja de um conteúdo produzido originalmente pelo próprio professor. O
professor só poderá dar aula, então, sobre aquilo em que ele ou ela for autor(a).
Dessa forma incentivará um ambiente de autoria e não de cópia. Se o conteúdo
não for de sua autoria, não poderá dar aula, pois será plágio. Torço também para
que os estudantes só frequentem a escola se for para pesquisar, produzir
conteúdo e elaborar texto próprio, e não mais para ficar ouvindo aula. A pesquisa,
ao invés da aula, será o cotidiano de aprendizado dos estudantes. Aprender
sobre o que eram as “aulas” fará parte de uma disciplina de história, em que os
alunos frequentarão para conhecer o tempo em que a ignorância predominava em
nossa cultura e sociedade. Nessa disciplina eletiva, eles irão presenciar como tiravam
a autonomia das pessoas e tornavam elas submissas e dóceis, a fim de que servissem
de mão de obra barata ao mercado de trabalho. Realmente ficarão chocados com o
que irão ver, por exemplo: “Trinta pessoas caladas, sentadas umas de costas
para as outras, tomando notas, copiando matéria, engolindo conteúdo sem
refletir, enquanto uma única pessoa fica lá na frente falando”. Eles olharão para
isso e pensarão: “Meu Deus, o que é isso? Porque essas pessoas não estavam
pesquisando, nem se expressando? Que época foi essa em nossa sociedade?”.
Certamente ficará conhecida com a idade do ferro ou das trevas, onde só se
pesquisava quando se ganhava uma bolsa num curso de mestrado ou pós-graduação.
Até breve!
🌟Autor:
Tiago Bueno🌾
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