#N°150 – A noite escura da alma

 🌾 Vento da Liberdade


#N°150 – A noite escura da alma


Reflexões diárias – 27/1/2022


🌟 Acho que a maior parte das pessoas passa pela noite escura da alma. É muito desafiador quando o indivíduo passa por isso, porque a tendência humana é resistir àquilo que causa dor. Nesses períodos, tenho aprendido que é muito importante desenvolver uma escuta delicada e sensível das próprias emoções. Certa vez, uma professora, do município de Lajeado, percebendo isso, durante uma formação, comentou o seguinte:


“As vezes as pessoas precisam falar, botar pra fora, para se organizar mentalmente e encontrar as suas respostas. Ao falar, ela vai se ouvindo e encontrando as respostas. Ela vai se libertando e o meu papel foi só escutar. É uma escuta livre de julgamentos.” 


Quando passei por esse “poço escuro”, aprendi a desenvolver esse tipo de escuta. Acordava, quase que diariamente, sentindo uma forte tristeza e impotência, não vendo perspectivas de futuro. Porém, a escuta desses sentimentos, juntamente com um diálogo escrito com eles, fui entrando cada vez mais profundamente dentro de mim mesmo e, aos poucos, localizando a raiz daquilo que eu sentia. Isto se tornava possível juntamente com a autorresponsabilidade que eu assumia por eles. Em outra palavras, eu ia “demitindo” o mundo de fora como causador e responsável por aquilo que eu sentia. Via que aquilo me relaxava e me trazia bem estar, mas nunca imaginei que pudesse auxiliar outras pessoas com aquilo que descobria. No entanto, mais tarde, comecei a ajudar pessoas, através de trabalhar com grupos. Certa vez, um participante de um desses grupos, disse o seguinte, ao final de um encontro:


“Algo precisava ser acessado dentro de mim, para que eu parasse de desenvolver alguns comportamentos e que minimiza-se esse sofrimento que eu tinha. E eu consegui... ah... tocar num ponto que por muito tempo eu tava fugindo de medo e... me senti acolhido o suficiente pra poder tocar e perceber o quanto eu tava negligenciando a minha vulnerabilidade. Eu não conseguia... ah... de alguma forma encaixar nas gavetas e formar um... dar uma forma a essa sensação que... que me tirava... me tirava do meu caminho. Agora eu consigo compreender que o sofrimento era em função de sentimentos que eu sentia, que eram considerados sentimentos “não bons”, e eram reprimidos; eram não vistos, e foi dessa forma que eu aprendi. E o encontro aqui me permitiu olhar pra esses sentimentos de uma forma muito verdadeira, amorosa e acolhedora. E agora sinto que eu consegui clarear essa sensação pra poder trazer luz a algo que me incomodava por uns bons anos. Então eu tô mega ultra satisfeito com a possibilidade de me entregar e ser ouvido. E tudo isso aconteceu numa única aula que eu participei.”


Na esteira desses acontecimentos, passava também por intensos acessos de raiva e, por vezes, parava para escutá-los. Descobri, então, que a raiva não era algo ruim, mas, sim, um sentimento que surgia toda vez que eu fugia de assumir meus dons, talentos e minha própria originalidade. Comecei, a partir daí, também a trabalhar com a escuta da raiva com os grupos, procurando descobrir as necessidades ocultas que geravam ela. Uma estudante, então, trouxe o seguinte depoimento a respeito disso, dizendo:


“Eu me identifiquei com o tema da raiva e gostaria de dizer que, para mim, a raiva sempre foi um sentimento a ser combatido, a ser escondido, não era permitido sentir, né. Então, eu nunca aprendi a acolher esse sentimento. E eu tava tendo ele com muita intensidade, bem frequente mesmo, incontrolável. E depois eu compreendi que precisava acolher minha raiva. Eu passei um tempo achando que tava acolhendo ela, mas não tava. Então, chegou um momento que eu realmente consegui acolher. Eu também aprendi que minha raiva vinha em função de eu não conseguir colocar limites. Daí eu comecei a colocar limites antes que a raiva apareça, antes que eu exploda, né, antes que perca o controle e vire tudo uma bagunça. Então, pra mim tá sendo muito importante porque eu tô conseguindo realmente mudar a minha conduta. Assim, mudei mesmo a minha maneira de viver. Consegui entender que eu não só posso como devo colocar limites, ao invés de ir deixando, ir deixando até que as coisas me atropelem. Pra mim isso tá sendo muito importante.”

Acredito que, assim como eu passei durante um período, muitas pessoas travam um duro combate consigo mesmas, acreditando, talvez, que sejam más ou ruins por sentirem aquilo que sentem. Todavia, o aprendizado me mostrou que há um tesouro profundo a ser descoberto por de trás, ou debaixo, de cada emoção e sentimento que temos. Esse tesouro se mostrará, em algum ponto do caminho, se tivermos a paciência, a coragem e a ousadia de escutá-los. Se começarmos a acolher e a aceitar a nós mesmos do jeito que somos, deixando ir aquela pessoa que acreditamos que deveríamos ser, podemos construir uma realidade mais amorosa e satisfatória. E, assim, creio que a noite escura da alma possa se tornar um período de rico aprendizado, e não mais um estado de dor e sofrimento.


Até breve!


🌟Autor: Tiago Bueno🌾


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