🌾 Vento da Liberdade
#N°155 – Compreensão
Reflexões diárias – 1/2/2022
🌟 Certa vez uma amiga me falou que estava passando por momentos difíceis, e que, toda vez que buscava conversar com sua “criança interior” era para lhe dizer o seguinte: “PORQUE QUE TU NÃO CRESCE DE UMA VEZ?” Acredito que esse tipo de linguagem, ela deva ter ouvido quando ainda era criança. Isso porque, acredito, não raro reproduzimos, quando adultos, um diálogo interior impregnado de julgamentos, cobrança e autoexigência, muito parecido com aquele que utilizaram para conosco, quando ainda éramos pequenos. Acredito também que todos aqueles que estão neste caminho de autoconhecimento, em algum momento, terão que adentrar os recônditos escuros e fechados de sua própria consciência, afim de resgatar a “criança interior”, que ficou perdida. O nome dessa criança se chama medo: medo de ser quem se é, de brilhar e dar sua palavra ao mundo. Enquanto não decidirmos fazer este resgate, ela continuará a bater na porta de nossos corações. Caso venhamos a interpretar esse chamado como algo ruim, negativo, que necessite ser superado, nossa criança interior continuará seu choro e desespero. Precisamos assumir a responsabilidade por ela, como um pai e uma mãe faz com seus filhos. Só então será possível demitir o mundo de fora como responsável por aquilo que sentimos. Do contrário, é comum permanecermos como vítimas de ex relacionamentos, da sociedade, dos pais, do mundo, etc. Uma vítima quase sempre começa sua frase assim: “Me sinto desrespeitado...” Isso indica que há uma ferida psicológica que merece atenção, escuta e autocompaixão. É preciso ouvir essa dor, de modo que, aos poucos, consigamos reverter essa autodefesa em autoceitação. Através da autoceitação, a pessoa consegue sair da sua zona de defesa (de vítima) e caminhar para a sua vulnerabilidade, onde se tornará possível a honestidade, deixando cair as máscaras e fingimentos, revelada por meio da expressão clara daquilo que se sente e se necessita. Ora, o poeta Fernando Pessoa costumava dizer que “o poeta inferior diz o que julga que deve sentir. O poeta médio diz o que decide sentir. Dizer o que efetivamente se sente é tarefa para o poeta superior”. Se isso é verdade, quero dizer que em minha pesquisa descobri que por debaixo da expressão “desrespeitado” existe mágoa, tristeza, ressentimento, raiva, solidão. Estes sentimentos pertencem à nossa criança interior e geralmente são muito mais antigos do que o eventual acontecimento que os disparou, presentemente. Uma criança que não foi escutada nem teve seus sentimentos validados na infância, costuma se tornar num adulto que, em algum momento, terá que buscar alguém que ficou para trás. E quando isso acontece, o caminho de autorresponsabilidade por aquilo que se sente geralmente inicia. Uma conhecida minha, descreveu como foi buscar sua criança interior, através do seguinte relato. Disse ela:
“Eu fui para participar do círculo e... na verdade, fiquei escutando o que as pessoas tavam falando e até nem tinha me aberto, assim. Eu vi que eu precisava aprender a escutar. Então, fiquei ouvindo bastante o que as pessoas falavam. E aí num determinado momento, quando alguém falou sobre o reencontro com a ‘criança interior’, aquilo dali me deu um click que eu me senti à vontade pra falar. E aí, pela primeira vez, eu acabei contando a minha própria história sobre tudo o que aconteceu desde o meu nascimento, minha infância e... na hora eu me senti muito emocionada com o que eu falei, eu me senti pela primeira vez acolhida, na verdade, com a minha própria história. Acho que pelo fato de que ali as pessoas acabam não julgando, mas só escutam e realmente não te dão nenhuma opinião. Mas eu fui embora dali me sentindo bem, tinha sido uma tarde boa, não tinha pensado no que... não tinha visto a profundidade de tudo o que tinha acontecido. E quando eu cheguei em casa, fiquei muito inquieta. Eu senti a necessidade de me expressar e aí eu sentei, sozinha, de madrugada e comecei a escrever, escrever, escrever sem parar. Eu comecei a escrever, na verdade, desde o útero da minha mãe e fui escrevendo toda a minha história. E parece que naquele momento tudo aquilo foi recebendo muita claridade pra minha situação, muita luz, porque eu comecei a me lembrar na medida em que eu escrevia, escrevia, escrevia sem parar. E quando eu terminei, tinha encontrado minha criança de 4 anos que tava perdida. Daí eu percebi o tudo que tinha mexido dentro de mim naquela tarde.”
Escutar e acolher nossa criança interior permite-nos desenvolver a capacidade de compreensão. Isto, em outras palavras, significa que, antes de darmos algum conselho a alguém, iremos ouvir a história que cada sulco da face daquele ser humano tem para nos contar. Manoel de Barros talvez tenha dito isso de forma muito primorosa quando declarou: “Aquele que não morou nunca em seus próprios abismos, nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas, não foi marcado. Não será exposto às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema”.
Até breve!
🌟Autor: Tiago Bueno🌾
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